20/07/2011

A CASA

Tinha febre e escorregava, assustado, nos sonhos. Fugia, então,
da noite inventando desculpas. A casa era fria e os gatos subiam
pelo limoeiro em busca do velho fogão.

Mário Rui de Oliveira

com a devida vénia, de O VENTO DA NOITE, Assírio & Alvim, Março de 2002

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17/07/2011

NOITE

Tantas estrelas!
Tantos micróbios nesta atmosfera...

                                                          1963

Andrei Voznessenski

com a devida vénia, de ANTIMUNDOS, Versão de Armando da Silva Carvalho, feita sobre tradução directa do russo de Clara Schwarz da Silva, Publicações Dom Quixote, Lisboa, Maio de 1970

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06/07/2011

AINDA O DESERTO

Quando o deserto começa a ser por dentro,
alastra a mancha de secura sobre o que chamámos coração
e só esperamos que a noite chegue, pois nenhuma brisa
se levanta já para a podermos imaginar.

Luís Filipe Castro Mendes

com a devida vénia, de Lendas da Índia, Publicações Dom Quixote, Lisboa, Junho de 2011

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02/07/2011

OS DIAS MAIS COMPRIDOS

Uma tristeza exclusiva do Verão,
das despedidas ou das noites de Verão.
Durante o dia é impossível notá-la,
tal como no Inverno, quando está ocupada
a combater o frio.

Os meus sonhos recentes anunciam mudanças
mas não sei o que fazer com a
misericórdia. A representação da dor
é aquilo que dói. Já se pode abrir a janela,
um pouco, todos os dias, e escutar
as buzinas, a tarde rebentando.
Prefiro não fazer nada, que é pior.

Mariano Peyrou

com a devida vénia, de O DISCURSO OPCIONAL OBRIGATÓRIO, Tradução de Manuel de Freitas, Prefácio de José Ángel Cilleruelo, Averno, Novembro de 2009

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