10/08/2011

[As bocas alastram a noite]

2.


As bocas alastram a noite
na minúcia do fogo - tudo
será a profecia, a Alba Longa.

João Rasteiro

com a devida vénia, de A Divina Pestilência, Assírio & Alvim, Março 2011



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07/08/2011

[Partilhamos o leito onde a noite]

Partilhamos o leito onde a noite
se faz lençol e vitral.

Albano Martins

com a devida vénia, de TRÊS POEMAS DE AMOR SEGUIDOS DE LIVRO QUARTO,edições Quasi, Fevereiro de 2004

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06/08/2011

A POLPA DO SABOR

A polpa fresca, lâmina rápida que se crispa e salta viva.


E o dia baço, longo, ao fim do corpo: uma parede morta.


A cada passo, a pequena crista límpida, braço que flui
através das árvores, quase ao longo do céu.


Punho breve, inundado, que escreve o sabor nos dentes
do muro já surdo e frio na noite.


António Ramos Rosa

com a devida vénia, de A CONSTRUÇÃO DO CORPO, Portugália Editora, Lisboa, Setembro de 1969

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03/08/2011

SENHORA DA AGONIA

II

                                                                                                  in memoriam

Durante toda a noite, escolheram e exaltaram
a cor do sal, pacientemente semeado entre ferro e álcool.
Mas não serei eu a pessoa indicada para retomar em trovas,
falando dos pés divinos que, na sua glória, pisarão a beleza.

Procurámos em vão, nas livrarias da cidade,
um título que fosse de António Manuel Couto Viana.
Nada; apenas lixo - desde best-sellers a edições de autor
repugnantes ao tacto e à inteligência de quem lhes pega.

Só lhe pudemos ler os versos em frente da Casa Melo Alvim
- ou recordá-los, pelas piores razões, ao vermos a Casa
dos Lunas e o Café Caravela, tristemente modernizado.

Mas o mar, ao fundo, perdoa tudo - e até acho, António,
que teria gostado de almoçar hoje connosco n'Os Três Potes.
Rojões, polvo na brasa, vitela - acompanhados de arroz e de saudade.

Manuel de Freitas


com a devida vénia, de Telhados de Vidro, N.º 15 . Junho. 2011

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