22/05/2011

AO RELENTO

Para encherem a noite, os grilos não precisam mais que
de uma lura. Mesmo no cativeiro continuam a cantar...

Para o homem, momentos há - e é doloroso reconhe-
cê-lo - em que até o universo é uma prisão.

Jorge de Sousa Braga

com a devida vénia, de O Poeta Nu, Fenda Edições, Lisboa, 1999

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14/05/2011

ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA

Somos apenas o universo
como ele nos é. À noite cato estrelas
no teu corpo e as carícias que me vestem
são cúmplices da água.
Mastigamos o solo na erva que nos pasta
e espalhas sobre mim gotas de mar.
Com água em rocha, flexível e exacta,
entras na minha pele, maré a encher.
Só temos asas porque temos corpo.
Anjos de nós, é rés do solo que
a música nos despe nas alturas. Tão ágeis
como figuras do Kamasutra.

Rosa Alice Branco

com a devida vénia, de GADO DO SENHOR, & etc, 2011

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04/05/2011

[Pulgas]

Pulgas -
Para elas também a noite
É longa e solitária

Issa Kobayashi

com a devida vénia, de PRIMEIRA NEVE [haikus], versões de Jorge Sousa Braga, Assírio & Alvim, Lisboa, Novembro 2002

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