30/04/2011

CREPÚSCULO

É quando um espelho, no quarto,
se enfastia;
quando a noite se destaca
da cortina;
quando a carne tem o travo
da saliva,
e a saliva sabe a carne
dissolvida;
quando a força de vontade
ressuscita;
quando o pé sobre o sapato
se equilibra...
É quando às sete da tarde
morre o dia -
que dentro de nossas almas
se ilumina,
com luz lívida, a palavra
despedida.

David Mourão-Ferreira

com a devida vénia, de LIRA DE BOLSO, Publicações Dom Quixote, Lisboa, Novembro de 1969

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15/04/2011

Na noite

ando e procuro
busco e farejo
tacteio no escuro

o lume do teu dorso
faz-me bem ao desejo
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09/04/2011

Sábado

1.


É o nosso corpo mortal
que os imortais invejam. Este prazo
que nos defende da cansada
luz eterna. Estremecemos
em sangue e veias no relevo
imperfeito da noite. Perseguimos
um ser que nos excede
decomposto na margem
do tempo, diluído no
precário poder do amor.

Inês Lourenço

com a devida vénia, de LOGROS CONSENTIDOS, &etc, 2005

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02/04/2011

CABÍRIA

a noite sarra a barra de tua saia

a vida são sempre mambos & mambos pra putas & putas
(menos tu)

e se fosse pra sofrer, deixa a gueixa
andar pierrô

Daniel Sampaio Azevedo

com a devida vénia, de ANTOLOGIA DE POESIA BRASILEIRA DO INÍCIO DO TERCEIRO MILÉNIO dezoito poetas da novíssima geração (selecção e organização de Claudio Daniel), 7 Dias 6 Noites - Editores Unipessoal, Lda., e editora exodus, Fevereiro de 2008

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