29/03/2011

O ENCENADOR

O encenador conhece o seu espectáculo
Há um lugar do qual noite após noite
o torna a ver sem de ninguém ser visto

Para que volta onde já nada é seu
onde a verdade se soltou do caos
e mente agora a uma luz fictícia?

Gastão Cruz

com a devida vénia, de ESCARPAS, Assírio & Alvim, Fevereiro de 2010

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13/03/2011

OBSCURA LUMINOSIDADE

As estrelas e os seus caminhos de luz
atravessam galáxias desconhecendo
outro conceito que o de brevidade
e passagem, sempre à frente até do fim
que as persiga, rasgando a
escuridão macia das noites eternas.
Nascem em tempos remotos
e são o mesmo tempo que foi
há muito, dizendo longinquamente
que o destino existe em cada gesto
decidido à sua luz.

Luís Norte Lucas

com a devida vénia, de Agio 1, Revista de Literatura, Artefacto, Lisboa, Fevereiro de 2011

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05/03/2011

5. ELE:

Desfeita em tantas peças
e faíscas
que rasgam pacientes esta noite,
a noite deste palco,

eis que te vejo,
eis que te vejo e vejo que és pessoa,
e vejo que és mulher
rodeada de auras invisíveis.

E toda tu és chispas
que não iluminam apenas este mundo
mas o mundo de todos.

Pedro Tamen

com a devida vénia, de Um Teatro às Escuras, Publicações Dom Quixote, Fevereiro de 2011

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