31/01/2011

A ROSA DOENTE

A rosa que adoece
é um leito e um corpo.
Penetrou nela o verme
que em segredo a destrói.

É um verme invisível
um insecto da noite.
A vida destruída:
oculto obscuro amor.

Gastão Cruz

com a devida vénia, de TEORIA DA FALA, Publicações Dom Quixote, Lisboa, Junho de 1972

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16/01/2011

JÁ É TARDE NA NOITE

Já é tarde na noite
e a praia está deserta.
Quebra-se o mar
contra as rochas.
Um ar cálido,
espesso de salitre
e de recordações,
banha-me a cabeça.
Fecho os olhos.
Inalo.
Deixo-me levar.
E penso logo,
como quase sempre
quando me acontecem estas coisas,
em Proust.
Mas eu nunca li
Proust.
Que importa.
A vida é bela.
Quem precisa
de Proust.

Roger Wolfe

com a devida vénia, de revista criatura, N.º 5 . OUTUBRO . 2010, Selecção e tradução de Luís Filipe Parrado

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01/01/2011

PROVÉRBIO

A noite é a nossa dádiva de sol aos que vivem do outro lado da Terra.

Carlos de Oliveira

com a devida vénia, de A Leve Têmpera do Vento, selecção e nota de João Pedro Mésseder, Quasi Edições, Novembro de 2001

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