24/12/2010

Octavio Paz - "VIDA PRESSENTIDA"

Relâmpagos ou peixes
na noite do mar
e pássaros, relâmpagos
na noite do bosque.


Os ossos são relâmpagos
na noite do corpo.
Oh mundo, tudo é noite
e a vida é relâmpago.


Octavio Paz


com a devida vénia, de Antologia Poética [1935-1987] Organização e tradução de Luís Pignatelli, Círculo de Leitores, Março de 1991

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12/12/2010

PEQUENA VOLTAGEM

Hoje escolhi uma lâmpada de
quinze velas para me acompanhar
durante a noite. Vidros e metais
indefinidos são agora longínquos
como o sono. Esvaem-se
espelhos desabridos e retratos
apaziguados. A pele dos livros
e a pele das paredes unem-se
numa coloração mate. Quinze
velas nimbam toda a ausência,
de um aveludado gozo.

Inês Lourenço

com a devida vénia, de TEORIA DA IMUNIDADE, Edição Felício & Cabral - Publicações, Lda., Porto, Dezembro de 1996

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02/12/2010

[Olho para trás, as peças que arrumei]

Olho para trás, as peças que arrumei
e ninguém reclamou,
ninguém com pé que ali entrasse,
sequer à meia-noite.

Em clara limpidez
esqueço o meu trabalho duro,
os olhos molhados, persistentes,
e vejo deslumbrado o que estas mãos modelam,
ajeitam, roçam e martelam:

o que é decerto meu
por estar à minha frente.

Pedro Tamen

com a devida vénia, de O LIVRO DO SAPATEIRO, Publicações Dom Quixote, Março de 2010

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